Hellnião da Vitória é um lugar que adotei como sendo meu. E bem no comparativo de “adotar filho ou filha”… bom, é adotado, afinal. Não é daquele lance “de verdade”. Self made. É adoção mesmo.
Mas adoção não impede que exista aquela magia do gostar. Gosto mais, imagino, pelo desafio. Pela sempre existente impressão de que conforme viro pro lado já sai uma figura me intimando.
Hellnião tem características próprias que lhe são peculiares. Feito os “parâmetros” sociais. Jogo aspas e explico: “parâmetros”, aqui, é indicativo de DEDO APONTANDO. Lance feio.
Um dos crimes onde rolam acusações, caso recente, é um acusatório hilário e, quando bem avaliado, olhado, fica podreira simples e nojenta.
Pois um figura aqui em Hellnião andou se enroscando, nos últimos meses, com pessoinha bonita, inteligente e solteira. Claro, ele mesmo, casado. Mas houve cumplicidade, houve entendimento. Tudo indo bem até que… pronto. Surgem dedos apontando. Acusatórios. Obsfucados. E com ponta suja… rsrsrsrsrs… dizendo… “o cara é casado”.
Daí, penso. E me vejo diante de uma podreira total. Senão, vejamos:
- um acusador usa drogas… lance que, por aqui, deve ser normal e aceito… já o lance de casado, realmente, é foda… acender e fumar um baseado, ou se entupir na farofa, claro, pode… mas “casado”??? ora porras, não, definitivo e conclusivo NÃO.
- uma acusadora, conforme apontou o dedo, estava no meio de uma balada, alegre, feliz, indignada com o “casado”, mas a filha e o marido, em outra cidade estavam bem… talvez dormindo e sonhando… talvez não seja casada não é mesmo?
- outro acusador, sexo indefinido, igualmente andava mais indignado com o “casado” do que com as implicações da própria ambiguidade sexual escolhida em particular.
Fico pensando nisso tudo. Imaginando da possibilidades de, numa confusão dessas dentro de uma balada, surgir por exemplo um membro da Igreja Universal “dedando” igualmente no mesmo e chato acusatório: “casado”. E mostrando do quanto faltaria de noção em fazê-lo dentro de uma balada ao som de um rock de primeiríssima, onde estavam pessoas bebendo, zoando, cantando, entorpecendo.
Faltou, igualmente, um muçulmano – ou muçulmana – igualmente acusando o cara => “casado”. Teriam a percepção do que diziam e do lugar onde estavam? Por certo não era uma mesquita.
Só sei que esses eventos disparam séries intermináveis de insights. Loucos, todos. Onde num repente, sou jogado prá Sampa, longe, e do alto da minha já cansada e estressada vida, não lembro de em tempo algum ter perguntado prá alguém sobre seu estado civil ou religioso. Bom, talvez porque em Sampa o lance de “casado” não seja motivo de crime – seja nos meios de convívio social.
Aguardo, para breve, acusações no rumo do cigarro (já tá chegando perto), cor de meia, quantidade de pêlos genitais, bicho de estimação. E a já pronta condenação… afinal sabe como é… são crimes com penas reconhecidamente pesadas por aqui.
Melhor ir no rumo do aceito mesmo: baseado, farofa e promiscuidade.
Hellnião. A cidade que adotei prá mim. A cidade que me adotou.
:::…