Disseram. Não se sabe quem, mas disseram.
Disseram que sou louco. Disseram que sou pirado.
Disseram que eu fiz coisas. Disseram que faço coisas.
Disseram que eu. Disseram que todos. Disseram.
Eles disseram que. Elas também.
Disseram. Dizem. Estão dizendo. Andam dizendo.
Não disseram, também. Mas isso não conta, afinal. Vivemos isso… disseram. Nada mais.
Eu mesmo, não disse. Pois não digo, faço. Disseram é não ter atitude diante de um lance bonito: viver, ser, estar, fazer.
Faço. Pratico, sim. Não digo que fizeram ou vão fazer. Pois… pouco interesse pode existir nisso.
Fazer e dizer. Dizem que o mundo vai acabar. Mas… não fazem que o mundo acabe.
Dizem, dizem, dizem, disseram. Mas e o fazer, onde fica?
Fiz coisas insanas, dizem. Mas fiz. Não fiquei no disseram… fui e fiz.
Fazer é das atitudes que são prazeirosas. Pois entregam vivência, experiência. Inclusive a experiência do infortúnio do disseram, dizem.
Nunca disseram que sofri. Ou sofro.
Nunca disseram – ele chorou, chora. Mas dizem e disseram que sou maluco, louco, insano.
Disseram que. Dizem que. Mas nunca disseram do quanto amo, amei e seguirei amando. Mas dizem que não. Disseram, em conjunto, que não.
Dizem.
Disseram.
Mas não dizem do quanto fui, sou, estou… sózinho.
Afinal, dizer do sózinho é algo que não dizem e não disseram.
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