Para alguns a vida é só uma apresentação em PowerPoint

20/11/2009 por sozinho

 

Hoje sou surpreendido por um email. Surpreendido dado o remetente. Não muito surprêso por trazer um anexo muito comum e totalmente sacudo: apresentação em PowerPoint.

Daquelas apresentações manjadinhas, chatas, do tipo auto-ajuda. Como se em algum momento eu precisasse da ajuda do criador da apresentação, ou da ajuda do cidadão que elaborou o conteúdo da apresentação. Ou mesmo da opinião da remetente – formalizada pelo envio do conjunto grotesco para minha caixa de email.

Fico surprêso com conteúdos diversos enviados prá mim ao perceber que tratam de questões com as quais eu não tenho nenhum litígio. Hoje, em particular, o tema foi “Saúde Mental”. Claro, o autor do conteúdo é um profissional de alto gabarito e pessoa séria. Mas a pessoa que enviou deveria ler mais detidamente e aplicar em sua própria vida o que está postulado lá, ao invés de encaminhar prá mim.

Vou tentar dar uma resumida básica no troço. Saúde mental, segundo o ponto de vista do fulano, é se assumir em atitudes comuns diante não apenas do comum – mas ser comum diante do incomum. O autor discorre de forma muito clara e interessante sobre a questão, e ao final deixa claro que o gostoso mesmo se dá diante da atitude em fazermos o que temos prazer e vontade – reside aí o verdadeiro ato de praticar o VIVER. Deixa lindamente expresso que fazer o oposto – anular vontades e desejos – empurra á banalização dessa “coisa” preciosa = A VIDA.

Interessante, e muito, é que a remetente do lance todo é das pessoas que abriram mão, durante a vida toda, de se permitirem PRAZER. Acho irônico uma pessoa enviar um conteúdo que contenha exemplos assim:

Nietzsche,Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski.

Li no passado e atualmente permaneço estudando Nietzsche por força de um curso de Filosofia. Igualmente li e leio Fernando Pessoa pela beleza em unir palavras e lhes dar sentido. Pude apreciar de perto obras de Van Gogh e, diante do contato, situar seu momento histórico, pude me permitir ler sua biografia detidamente, pude apreciar a estética contida na expressão de sua arte. Wittgenstein, igualmente li e com certeza será mais detidamente estudado num grau acima no meu curso de Filosofia. Cecília Meireles, uau… aos 16 anos me foi apresentada e até hoje fico deliciado com a beleza de sua criação. Maiakovski traduzido já é algo fantástico… e entristeço conforme percebo que sendo neto de russo… nada sei desse idioma.

Imagino, assim, o quanto de imbecilidade existe em alguém que perca tempo postando, prá mim, um email com conteúdo que não lhe é próximo de alguma compreensão. E assim imagino por haver conhecido o bastante prá saber que todos os nomes acima trariam mais mistério do que alguma admiração. Bastasse ler Nietzsche para já haver enlouquecido e estar internada em algum asilo de loucos…

Frequentei a casa dessa pessoa por vários anos. Prá perceber a total ausência de livros: filosofia, artes, literatura brasileira, literatura universal. Acredito que dificilmente alguém poderia ler, entender e assimilar em 5 ou 6 meses ao menos as noções básicas dos trabalhos dos nomes citados. Nietzsche exige estudos muito avançados e detidos para permitir apenas um arranhão no seu conteúdo.

Igualmente, imagino a causa disso, enviar um email com tal conteúdo, justamente para mim. Imagino que uma pessoa criada dentro de uma religião castradora e que sempre cerceia a liberdade individual nas questões de leituras e contatos com o mundo não imagine sequer o que enviou. Mais que imaginar, tenho certeza. Pois partilhamos algo próximo de uma relação por muito tempo. Anos. E todas situações de vida que lhe surgiram sempre foram tratadas assim = NÃO PODE, NÃO POSSO.

Será que nos últimos 5 ou 6 meses houve alguma mudança? Contato com alguma obra de Maiakovski, por exemplo. Algo que permitisse a ela deixar de jogar Tíbia no computador e descobrir que fora daquela pequena tela existe um mundo. Uau. Pode ser.

Será que igualmente ela se descobriu poeta ou escritora conforme leu Cecilia Meireles ou Fernando Pessoa? Seria maravilhoso. Mas acredito que não, pois mesmo diante das mais belas e verdadeiras palavras e expressões de amor, paixão, carinho… sempre houve a ausência de reações mais… livres, soltas. Pois o efeito castrador da religião corroeu e destruiu os sentimentos mais básicos. E afirmo isso por viver com uma pessoa da mesma religião, cuja família toda pratica a mesma fé. E todos incapazes de demonstrar emoções. Seja em qual for a medida ou situação.

Os personagens citados – excetuando Van Gogh -  foram, ironicamente, contrários aos princípios que ela defende. Seja na religião ou dentro do aspecto social das atividades que exerceram. Nietzsche, por exemplo, não teria escrito NADA caso fosse Testemunha de Jeová. Igualmente Fernando Pessoa ou Cecília Meireles. E já imagino um Maiakovski TJ. Wittgenstein TJ, imaginem, seria uma piração cósmica.

Moça, faz assim. Leia, estude. Assimile conhecimento. Páginas garimpadas pela internet não são representação próxima do mundo. Motivo pelo qual os livros e obras de arte permanecem e irão permanecer. Reproduções não tem o valor das cópias, no caso de Van Gogh… contato verdadeiro, apenas quando se permitem notar nuances de suas pinceladas… as imperfeições dos traços sempre existem ao vivo… e permitem APRENDER e APREENDER a obra. Tem estética na jogada. Coisa que computador algum pode se dar ao luxo de exibir.

Certo, estude. Leia. Descubra por exemplo, Zaratustra. Claro, imagino que Nietzsche seja algo muito… pecaminoso e diabólico para ser lido, entendido ou assimilado. Talvez até proibido mesmo. Afinal, Filosofia é o exercício humano do pensar e questionar. E sabemos que TJ não se permitem o questionamento. Praticamos muito isso lembra? Foram milhares de perguntas sem respostas. Foram muitos os silêncios mortais e profundos. Parte de nossa relação foi uma piração… algo parecido com uma tela de Van Gogh sem tinta ou rabiscos… uma tela em branco, prá ser bem sincero. Ou um livro sem conteúdo impresso… capa bonita, folhas impecavelmente brancas e imaculadas. Parecidos com tua própria vida: rica em ausências, pobre em conteúdo. Tá certo, eu sei… vc tem um filho. Mas até mesmo môscas se reproduzem, não existe conhecimento algum no “fazer filho”. Conhecimento existe em criar o filho e lhe permitir livre-arbitrio verdadeiro. Sem manipulações aterrorizantes, sem inferno, sem paraíso. Sem divindades, sem terrorismos emocionais.

Manipulações que resultem nisso que é vivido por voce desde fevereiro de 2008: fez o que quis mas fez o proibido. Por força não da tua vontade ou determinação existe ali a conduta errada. Conduta julgada errada por grupos que aterrorizam e aniquilam emocionalmente as pessoas.

Não tenho saúde mental. Daí, penso. E pratico o que está escrito no teu email: não assisto TV por perceber ali a banalidade.

Não, não passo minhas horas jogando Tíbia, pois isso não me traz conhecimento. Sim, leio Nietzsche. E Fernando Pessoa. E Maiakovski. E muito mais. Tem Rimbaud, Baudelaire, Goethe. Admiro Aldemir Martins. Admiro Pablo Picasso. Estudo Espinoza e sou fã do cara. Adoro Sartre.

Interajo com pessoas e faço disso uma prática. Aprendo no dia-a-dia neste exercício do PENSAR. Não me atemorizo com ameaças divinas, sejam quais forem elas. Até mesmo com as datas de fim do mundo… percebeu como nenhuma delas vingou até hoje? Estudo, sim, a beleza do mundo e não me preocupo com a mortalidade do homem. Não me interessa o que ocorre após a morte, pois certamente não estarei vivo… e enquanto eu estiver vivo, lerei, estudarei, serei feliz nas minhas determinações. Mesmo nos momentos onde sofro por questões de relacionamentos, descubro certo prazer e felicidade: a confirmação de que, infelizmente, perdi tempo com pessoas banais. Que perdem tempo ANEXANDO conteúdo em email ao invés de se darem o trabalho de, pelo menos, ESCREVER.

Certeza eu tenho uma única. E minha. Acho minha loucura e insanidade um presente da vida. Graças a esta loucura vou somando pessoas que JAMAIS seriam próximas caso eu fosse são e normal igual voce, por ex.

Na vida, temos diferenciais: eu vivo e sou pensante. Voce é apenas um personagem num jogo bobo e duvidosamente divertido. Diversão é ler Heinrich Heine, por exemplo. Divertido é garimpar um livro pela internet, num sebo. E esperar pelo bicho chegando prá ser lido, imaginando o quanto de prazer ele proporcionou ao dono anterior.

Só isso. O resto… bom, é a tua parte: SILÊNCIO… acertei?

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A verdade relativa de cada um.

05/11/2009 por sozinho

 

Verdade é igual bunda. Cada um tem a sua. Putz, isso é algo que cansei de ouvir. Sempre.

No entanto, verdade que eu postulo e interpreto, é algo único. Feito postulados matemáticos. Não tem como torcer ou virar do avesso.

Seja aqui na Terra ou em Júpiter, ou Urano (putz, me ligo em Urano), o que conceituamos com verdade é único. Feito matemática mesmo.

Venho tomando contato com pessoas que, ao que parece, gostam de reinventar a verdade. E, claro, cada uma á sua maneira. Pessoas que, diante de situações que não lhe são únicas, fogem da responsabilidade do resolver, se distanciam da responsabilidade agregada no fazer.

Resumindo, algo assim: faço algo envolvendo alguém e prejudico este alguém. Mas… foda-se. Acerto meu lado e esse alguém que se foda. A velha história do T.C.R. => Tirar o Cú da Reta.

Verdade, e esta uma verdade minha, algo próprio da minha realidade de vida, ando sacudo com isso. Muito além de questões de certo ou errado, me percebo dentro de alguns resultados decorrentes destas questões de valor e juízo. Cada um, dentro de seu próprio pensar cria seu próprio valor de verdade, seu próprio juízo de verdade. Atirando ao lixo outras questões, sejam a ética e a moral.

Comentar sobre ética e moral dentro de uma sociedade, é sempre complicado. Pois envolve não apenas o conceito da própria palavra utilizada. Moral e ética são, diante das posturas pôdres e imundas de tais pessoas, reflexo e ao mesmo tempo afirmação de que a própria sociedade onde coexistem está corrompido. Uma sociedade que interpreta de forma suja e imunda, educando tais pessoas a se tornarem seu reflexo.

Paradoxalmente, tais pessoas vivem e praticam em seu dia, atos que elas mesmas interpretam como certos. Ou verdadeiros. São das pessoas que de forma séria e sisuda não hesitam em montar um olhar sério e censurativo sobre situações semelhantes ás que elas mesmas praticam. Fazem da própria vida uma latrina, mas, entretanto, cuidam de zelar pela latrina construída por outros.

Meio aquele mecanismo cultural, existente dentro da sociedade onde habitam e são coniventes: “bom, o cara rouba, mas faz… melhor um que rouba e faz do que um que rouba e não faz…”. Um lance importado da cena política e que hoje já se apossou da moral e da ética social.

Ou aquela pasmaceira tradicional, de sempre. Critica-se a aparência ou os costumes de outrem. Sem motivo que o justifique. Mas particularmente, pratica-se o mesmo do objeto criticado. Ou seja… isto deve ter nome… falsidade? Hipocrisia? Imbecilidade? Idiotice?

E, numa ousadia até interessante de ser observada, pois serviria como uma aula de vida, se permitem críticas diante de situações sinônimas advindas de outros.

Bom, numa questão de simplesmente observar, não se necessita esforço algum em perceber outra comicidade: pessoas que não hesitam em foder a vida de outra mas que se permitem criticar situações onde uma outra faz o mesmo. Claro, em nenhum momento existe a preocupação com a vítima. Não existe a preocupação no “resolver” algo. Não existe, aparentemente, algum disparo, dentro de seus próprios recursos cerebrais que lhes permita ir ao encontro de reparar o que quer que seja.

Numa questão que ocorresse não dentro do individual, mas dentro do social, tais pessoas estariam sujeitas ás leis. Pois a nocividade disto é semelhante aos crimes hediondos previstos em leis, sejam em quais países ocorrerem. Privar alguém de algo é crime. Mas… conforme percebo – e torço para os que leiam isto igualmente percebam – há muito esta questão, seja ética ou moral, já foi enterrada.

Conforme juristas que pude conhecer, num passado não muito distante, somos cidadãos vivendo em um país sem lei. Atentem que isto não é minha opinião, mas transcrição de palavras que ouvi. Não sou afeto e menos ainda, afeito, ás questões de lei. Mas crio juízo de valor por haver convivido com pessoas que pronunciavam isto.

Num mesmo patamar, enxergo as pessoas que aqui comento, niveladas ao criminoso comum. Aquele mesmo que chega e mediante força e violência, pratica o desfrute sobre um outro indivíduo em situação frágil. Diferencial, importante dizer e comentar: o resultado deste roubo ou assalto não é um bem material… é emocional. Aos que não dão importância neste quesito, valeria dizer… emoção não se compra… emoção é lance de viver.

De alguma forma, conforme se faz violência sobre a emoção ou no emocional de outro, leva-se dele parte de seu viver. E não é enfeite o que eu digo. Falo por questão de vivência minha, própria.

Daí, resulta algo até patético, feito este post mesmo. Palavras que não são entregues ao vivo por haver nisto a questão da covardia. Existe a incapacidade pessoal. Existe a imundície pessoal. Existe a sujeira, existe a baixeza. Existe a imoralidade. Existe a total falta de ética diante das relações humanas. Existe a violência. Existe o roubo emocional. Existe o estupro emocional. Enxergo mais além, percebendo certa questão de prostituição mesmo. Melhor, claro, aquele esconderijo que lhes é particular, sempre… a latrina imunda da própria vida. Enterrados nela, se permitem fugir e estar ocultos das questões simples e eficazes do “resolver”.

Afinal, resolver nestes casos envolveria duas ou mais pessoas… e a covardia tem dessas coisas… sem chances. Daí, permaneçam ocultas, protegidas nas sombras esperando por outras vítimas.

Alertando que o prostituir acima comentado, não tem relação com sexo, ok? Prostituição pode ser aplicada em diversas alegorias, e é o que faço aqui. Comércio de emoções, vidas, sensações.

Interessante, ainda mais, existe ali a inadequação em se assumir, em si mesmas, a capacidade do relacionar. Algo que não apenas faria perceber o desequilíbrio social, mas, muito além, o desequilíbrio emocional, intelectual.

E, até onde sei, pessoas que, praticando suas crenças e tendo fé, se permitem seguirem fodendo a vida de outras pessoas pela vida afora. Pois afinal, o Criador no qual crêem a tudo perdoa.

E foda-se a humanidade.

Da minha parte, apenas aquele velho bordão. Chato mas verdadeiro até onde vivo: o tempo tudo assiste, implacável. E vou em frente, sózinho, assistindo á esta encenação toda. Gostoso é que, ao final, me permitirei ficar em pé, aplaudir e assoviar forte, gritando… BIS… BIS… BIS…

… sózinho, ás vezes, é mais divertido.

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