Ano Novo. Novidades, mesmo, sómente algumas redescobertas. Que num tempo, talvez por falta de entendimento meu, ou, também, resultado de uma arrogância pessoal imaginando que as questões do “sentir” fossem bobagem.

Ano Novo. E conforme os dias vão se devorando e fazendo nascer noites que igualmente são devoradas por si mesmas, percebo quanto tempo perdido em meu existir. Chega a doer, machucar.

Brinquei, final de ano, com a música do Titãs – Epitáfio. Disse, numa liberdade de brincar, do que fiz de mais e de menos. Do que não fiz. Mas nos dias seguintes tenho descoberto muito mais que isso.

Ano Novo. E meio surprêso, vou notando que o tempo vivido até então foi produtivo. Aprendi muito, demais mesmo. Por momentos, não posso negar, chego a sentir orgulho de toda uma vida passada… cinquenta anos vividos intensamente. Vividos numa constante disposição de superar tudo e todos. Valendo comentar que superação, aqui, não se insere como competição. Superação em atitudes pessoais, superação em conhecimento. Superação em aprendizado. Superação em fugir do comum e ir na direção do inesperado e do desconhecido. E nisso, claro, hoje carrego certo arrependimento.

  • “Take me in
    I am looking for cover
    For a sin
    They should never discover
    And if you don’t
    They will all find out
    What I only want you
    To know about…”

Pois houve um dia, meses atrás, onde senti a intensidade desse verso citado acima. Fui, num dia, um cara precisando de abrigo, de colo. Fugindo de pecados – os meus. E imaginando que alguém se permitisse entendê-los. Ou aceitá-los. Imaginando que olhares, sorrisos, braços e abraços, todos, demonstrassem aceitação e abrigo. Pois assim aprendi pela vida.

Lição dura de ser aprendida, hoje. Ser apanhado num flagrante de se permitir certos desejos e vontades. Desejos e vontades que tomam direção oposta ao que entendo hoje ser a direção correta e esperada. Lição que procura ensinar rumos loucos. E os quais eu não tenho vontade nem desejo em seguir.

Ano Novo. Ensinando um novo caminho prá seguir. Caminho do qual sempre fugi. Caminho que sempre neguei, por minha vida, a aceitar e viver de maneira intensa. O caminho da desimportância. Nas coisas, nas pessoas, nas atitudes, nos pensamentos.

Caminho que dói. Não pelas pedras, não pela névoa que me impede a visão. Muito menos pelo traço tortuoso. Nem pela insegurança de caminhar pelo desconhecido. Um caminho que traz dor pela solidão no caminhar. Caminho que dói pelo silêncio que me faz companhia, feito meu duplo, meu doppelgänger… e assim sendo, nem mesmo posso confrontá-lo…

Ano Novo. E fica uma questão, particular, pessoal mesmo: novo porque? Particularmente não houve renovação, ou mesmo novidade alguma. Houve e há, por certo, persistência nas dores e sofrimentos, todos. Ano Novo recheado de mesmices de meses atrás, mais nada. Um tempo, hoje, onde o ontem se faz pesadamente atual, verdadeiro e consistente. Feito agora mesmo, enquanto digito todas estas palavras insanas e, talvez, doentes. Refazendo o troço todo: … enquanto digito todas estas palavras insanas e doentes.

Insanas e doentes por persistirem em afirmar o que meu pensamento e os meus sentidos, todos, clamam e gritam: falta voce. Falta partilhar chocolate com laranja, num sem tempo, sem hora, sem dia, sem horário. Falta partilhar conversa, falta partilhar música, falta partilhar cheiro. Falta partilhar sorriso, olhar. Falta partilhar, até mesmo, desentendimentos. Falta partilhar susto, estacionados na rua, polícia batendo na janela. Falta partilhar caminhada na chuva pensando em voce – mas com um diferencial… hoje, já não tenho voce perto. Dói saber que feito hoje, amanhã não te vejo. Dói e machuca saber que isso irá seguir num sem fim, sem prazo prá terminar.

  • “I will show
    before the day is ending
    That I know
    From whom I’m really depending
    My gratitude
    Is all I have to give
    By your side
    Is where I want to live”

Gostoso claro, no passado, sempre foi dizer o quanto te precisei e precisava… sempre pelo dia todo, até o final… prá te dar certeza do quanto eu era dependente dessa insanidade doce e suave que voce é. Gostoso, sempre, foi dizer do quanto eu vivi mais voce mesma do que eu… pois existiu – e ainda existe, acredite – uma certeza única e verdadeira: ao teu lado, mesmo em situações frágeis e rápidas, permaneceu a certeza de que é ao teu lado que eu sempre quis, quero e permanecerei querendo viver.

Docemente e suavemente. Feito chocolate com laranja. Feito beijo que não termina.

É… ficou pouco prá dizer. Uma alma que se sabe solitária se perde em si mesma… e ouvir Namnambulu, do teu lado… foi viver. Deu sentido ao viver.

Aceita, então, este postizinho, ok? É teu, é verdadeiro.

Saudades…

………………………………………………………….

Cumprindo as regras todas, Feliz Ano Novo.

Muitas alegrias, muitas felicidades, se permitam, todos, momentos intermináveis de prazer e descobertas nesse ano que se inicia.

E conforme estou escrevendo estas linhas prá encerrar mais um ano, ao fundo vai rolando, claro, como sempre, um sonzinho. Diorama. Curto demais os caras e por certo, inspira.

E já sou empurrado a lembrar algumas coisas – por força da letra da música que vai tocando, do Diorama – Times Galore.

Titãs, por exemplo, com Epitáfio. Sempre gostei muito dos caras e pouco menos das músicas, as últimas deles.

Epitáfio é um exemplo disso. Ao menos particular e pessoalmente.

Me permito, então, dar uma brincada de final de ano com a letra, e, caso alguém não gostar, fácil resolver: digita um endereço interessante e inteligente na barra do navegador e… bye bye.

Logo nos primeiros versos, surge algo muito importante:

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer…

… e percebo que neste ano amei demais, chorei igualmente, mais. Vi o sol nascendo constantemente, por força de noites mal dormidas. Todas, claro, decorrentes dos lances de amar demais e chorar demais. Arrisquei, o tempo todo, errei – ao que parece, sempre – mas… sim, fiz tudo que eu queria fazer. Amar e dizer do amar, por exemplo.

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração…

… sim, aceitei as pessoas como elas são. Inconformado, claro, mas como diz a poesia, “cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. Ruim é vivenciar que minha alegria não é a alegria da outra pessoa. Aceitei então não apenas o lance das pessoas serem como são, mas fui receptivo ás dores que decorrem de suas negações de alegria e de tudo que é lançado no primeiro parágrafo. Putz, que louco isso.

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…

Vou percebendo que o acaso, verdadeiramente, vai me protegendo disso tudo. Lembro de noites/dias onde surpreendentemente eu terminava protegido por ações que iam se achegando. Palavras e ações, gestos, partindo de pessoas – algumas desconhecidas, até – que confortavam e alegravam, muito.

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor…

Não compliquei. E afirmo que em muitas situações fui vitimado pela complicação alheia… talvez falte um pouco de Titãs na vida das pessoas, pode ser… mas eu mesmo, não. Indo na direção oposta ao complicar, posso afirmar que fui simples, direto e objetivo, feito sempre.

Trabalhei o suficiente, não vi o sol se pondo todos os dias, mas alguns, sim. Problemas pequenos… ah, isso eu nunca contabilizei… mas fiquei feliz por encerrar problemas grandes após pouco mais de uma década. Já isso de morrer de amor, uau, putz, quase aconteceu… e, falando sério, acho que chego lá. Ou mexo um pouco no lance e morro pela falta de amor… que louco isso…

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier…

Aqui já complica um pouquinho… rsrsrsrsrsrsrs

Não, não aceito o que não quero e não gosto. Lances de “a vida como ela é”… fuck the life… faz parte do viver lutar e conquistar certas… adaptações que tragam prazer em viver. Eu faço isso, não mudo. Principalmente quando se sabe que alegrias e tristezas vão surgir infalivelmente. Constantemente. Talvez eternamente.

Fica então aqui formalizado o lance de FELIZ ANO NOVO.

Aos que chegaram até este post e até este parágrafo, aceitem meus votos sinceros e verdadeiros de FELIZ ANO NOVO.

Amem sem limites, chorem sem limites. Desfrutem da beleza da vida, não apenas em momentos de sol se pondo, ou nascendo. Em cada segundo, da vida, algo tem potencial prá surgir ou não. Portanto, se permitam. Permitam tudo… e o sol, acreditem, surge.

Trabalhem o suficiente. Trabalhar pouco empurra ao ócio, o que não é prático. Trabalhar demais, cansa e te impede de certos… prazeres. Arrisquem, muito, sempre. Arriscar é permitir que o inesperado aconteça e te surpreenda. Nunca aceite a vida como ela é. Pinte teus momentos com as cores mais bonitas, mais brilhantes, mais pessoais e particulares que vc puder. Abrace todas as alegrias que cheguem até voce. As tristezas… bom, chore um pouco que passa. Ou bastante. Mas acredite nesta dica: chore, sim.

Quanto ao morrer de amor… bom, não morra não. Arrisque, confesse teu amor e, quem sabe, nem vai rolar o lance do morrer de amor. Claro, pode ocorrer de algo complicar e dar errado, mas faz parte. Mas continuem sempre amando.

E fiquem bem, sempre. Neste ano que começa e nos outros que certamente virão. Infalivelmente. Eternamente.

Agora, se me permitem, vou parando por aqui. Relembrar dos amores deste ano, das alegrias e tristezas deste ano. Chorar um pouco. Me imaginar morrendo de amor. E terminar por rir bastante dos meus pensamentos e atitudes, todas. Credo… melhor deletar Titãs do computador… e ficar ouvindo Diorama, mesmo.

Abraços, beijos, beijundas, abracetas.

E fiquem bem, sempre.

………………………………………………